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05/11/09


Brasil "cansou de ser pequeno", diz Lula em Londres

Lula disse nesta quarta-feira, em Londres, que o Brasil "cansou de ser pequeno", ao convocar as empresas estrangeiras para investir no País, durante a inauguração do primeiro escritório europeu do BNDES.

"Nosso País se cansou de ser pequeno, se cansou de pensar pequeno, e se o Brasil quer se tornar, nos próximos anos, uma das economias mais importantes do mundo, não podemos continuar nos comportando como um País pequeno", declarou Lula no primeiro dia de sua visita a Londres. Segundo Lula, a instalação do BNDES no coração da "City" londrina "é a primeira demonstração" desta decisão. "Não queremos apenas cuidar de nossas empresas no Exterior, mas também convencer as empresas estrangeiras a investir no Brasil e ajudar a captar os recursos necessários para que os projetos possam ser implementados", disse Lula para um grupo de políticos e empresários, entre os quais o secretário britânico do Comércio, Peter Mandelson.


briga de foice e champanhe
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O Zé dirceu está tiririca com a Marina Silva por causa de acertos que estariam rolando pelo apoio do Psol à sua candidatura presidencial pelos verdes. Um presidente estadual do Psol, o de Pernambuco, rebateu Dirceu falando que "o capo do petê ao acusar o golpe preventivamente dá por tabela que a candidatura de Dilma Roussef treme diante da aliança entre Marina e o PSol. E Dirceu responde que Marina mostra o seu lado "não programático" ao se aliar ao DEM, aos tucanos, ao Psol, rompendo com seu passado petista...
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Vai ver não se lemba do seu "programático" PT de trelelê com Sarney, apoiado por Jáder Barbalho, Renan Calheiros e com o cumpanhêro Paulo Maluf pintado nas kombis do PT na campanha de Marta Suplicy em São Paulo.
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É uma pitoresca briga de foice e champanhe, com água de côco sem gelo, no escuro. Com um certo charme dondoca, na candidatura do presidente da Natura apoiando Osmarina Silva e também da fogosa socialaite Ana Paula Junqueira, casada com o milionário latifundiário sueco Iohan Elisch. É o lado espumante da pendenga, que tem de sandália Prada até aquela de solado de pneu de caminhão no páreo. Diversidade, como dizem.
Por Thomas Magalhães

o herói do lula
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Lula se esbaldou ontem, no Recife, a enaltecer o terrorista comunista Carlos Maighella, morto há 40 anos, e que recebe várias outras homenagens da esquerda dândi, incluído o anunciado título de cidadão paulistano à besta-fera.
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Lula falando ontem: "Os congressistas têm, de vez em quando, de lembrar as figuras que fizeram alguma coisa importante no nosso país, porque somos um país sem muitos heróis. Talvez porque nós fomos sempre colonizados e colônia não pode ter herói, então, temos vergonha de reconhecer nossos heróis". Marighella assaltou, roubou, matou e muito mais, diz a esquerda, lutando contra a ditadura militar. Mentira. Ele era um comunista e sempre lutou pela implantação de uma ditadura "popular" no país. Um louco. Sua mulher recebe uma pensão vitalícia como a de Lula.
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Além de suas ações terroristas, o bandido era dado a fazer poesias revolucionárias e manuais de guerrilha. Num deles, definiu a "razão de ser" de um guerrilheiro: "A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para qual atua e sobrevive, é o de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate. Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o fazem um tipo especial de guerrilheiro urbano - ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo."
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Morreu num tiroteio com a polícia, num encontro combinado por seus amigos padres comunistas dominicanos, acompanhados de agentes do delegado Fleury. O encontro foi marcado pelo frei comunista Tito, na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Uma caminhonete com policiais e um automóvel, com supostos namorados - o delegado Fleury disfarçado e uma agente policial, Estela Borges Morato, que morreu baleada. Também morreu no tiroteio o protético Friederich Rohmann e ficou ferido a bala o delegado Rubens Tucunduva. Marighela teria sido alvejado fora do fusca no qual estavam os dois padres, e nele colocado depois. O herói do Lula.
Por Thomas Magalhães

28/10/09

assim caminha a unanimidade
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A IDADE DO CINISMO
Por Maria Lucia Victor Barbosa
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Muito já se falou sobre a idade da razão. Conforme opiniões ela pode chegar aos sete, aos 18, aos 21 anos. Talvez, nunca chegue plenamente, já que o ser humano não é feito só de razão, mas também de emoção. Nunca ouvi falar, porém, na idade do cinismo.
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No entanto, ao ver o presidente da República soprando alegremente as velinhas de seus 64 anos tentei imaginar em que época de sua vida ele atingiu a idade do cinismo. Lula da Silva era um animador de greves. Desse trampolim pulou para a política, o palco mais visível do cinismo humano, mas, claro, não o único. Hoje o endeusado Lula, se comparado com suas pregações anteriores, se tornou irreconhecível.
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Alguns disseram que Lula, um dos artífices do impeachment de Fernando Collor para se vingar da peça que este lhe pregou ao levar na TV Globo, na sua primeira campanha, a mãe de Lurian, é hoje “amicíssimo” do senador, assim como de José Sarney, de Renan Calheiros, de Paulo Maluf, de tantos outros que outrora o ex-partido da ética abominava. Mas o presidente justifica qualquer amoralismo falando em nome de Cristo, pois afirmou que no Brasil Jesus se aliaria a Judas. O gracejo desrespeitoso deve ter lhe rendido muitas palmas e risos cínicos de seus correligionários e bajuladores.
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Lula também apela para o célebre “o que tem demais se todo mundo faz”. Isso foi dito em uma entrevista em Paris quando perguntado sobre o caixa dois de seu partido. Já o prestativo Delúbio Soares rebatizou cinicamente a prática de “recursos não contabilizados”.
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Altas doses de cinismo presidencial também vêm a público quando ele diz que não vê nada, não sabe nada sobre as “travessuras” de seus companheiros “aloprados”. No “mensalão” ou compra da base aliada foi assim e assim tem sido quando convém. E sua candidata Dilma deve ter chegado à idade do cinismo, pois repete exemplarmente as lições do chefe.
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Ela nega o “mensalão”, o encontro com Lina Vieira, o dossiê sobre o casal FHC, etc. Por isso dizem que, se Dilma ganhar teremos o terceiro mandato de Lula da Silva, pois é impressionante o mimetismo dos dois. Alegremente eles seguem em acelerada campanha dizendo que não é campanha.
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Os extremados e ardorosos petistas dirão que não citei outros políticos. Arrolar todos aqui seria impossível, precisaria escrever um “Tratado sobre o Cinismo” que englobasse a postura de muitos governadores, deputados federais e estaduais, senadores, membros do Judiciário e demais instituições, políticos nacionais e estrangeiros, figuras eminentes do mundo dos negócios, gente não comum e comum.
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Porém, se os grandes cínicos da política fazem tanto sucesso, sendo eleitos e reeleitos, é de se perguntar se a sociedade brasileira já nasceu cínica ou se em algum nebuloso momento atingiu a idade do cinismo.
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Em todo caso, diante da exacerbação da violência no Rio de Janeiro resta a triste constatação de que padecemos de um cinismo brutal que agrega incompetência galopante, indiferença à dor alheia, banalização da morte, vulgarização da vida, irrelevância da ordem, aceitação do tráfico de drogas, tanto da parte das autoridades quanto dos próprios cariocas e dos brasileiros em geral.
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O prefeito Eduardo Paes, ex-ardoroso tucano e hoje conveniente peemedebista, afirmou de volta da Europa, na Folha de S. Paulo de 25/12/09, que: “2014 e 2016 é fácil de resolver; enche de polícia na rua e fica tudo certo”. Para não ficar o dito muito cínico o prefeito carioca acrescentou: “Estou preocupado é com a população que vive agora este dia a dia”. Será que alguém está mesmo preocupado?
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Ricardo Noblat mostrou no seu site dados interessantes que vale a pena repetir:
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“1 - O número de favelas no Rio cresceu de 750, em 2004, para 1.020 neste ano. Cerca de 500 são controladas pelo tráfico. A venda de cocaína rende algo como R$ 300 milhões por ano aos bandidos.
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2 – Compete a Polícia Federal combater o tráfico. Quantas vezes este ano ela foi vista escalando morros?
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3 – Compete ao governo federal vigiar as fronteiras do país. É ridículo o número de militares ocupados com a tarefa. Faltam equipamentos e gente para fiscalizar o desembarque de cargas nos portos.
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4 – Até agosto, para modernizar sua polícia o Rio só havia recebido R$ 12 milhões dos quase R$ 100 milhões prometidos pelo governo federal –
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5 Em três anos de governo Sérgio Cabral, o total de investimentos em segurança está orçado em R$ 804.818,00. De fato não mais do que 40% desse dinheiro já foram aplicados”.
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No dia 21 deste uma foto macabra estampada em jornais simbolizava a barbárie do tráfico de drogas. Num carrinho de supermercado atirado na calçada jazia o corpo de um homem com marcas de tiros, de tortura, sem um dos olhos. Uma aglomeração composta na maioria por jovens olhava com curiosidade para o que restara do trucidado. Alguns exibiam sorrisos de cínica indiferença. Deviam estar mentalmente culpando a polícia. Sempre se culpa a polícia. Mas, se na polícia como em qualquer instituição há corrupção, existem também policiais dignos, capazes de gestos heróicos.
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Deixo, então, aqui uma homenagem aos três policiais que morreram no helicóptero atingido por bandidos, e aos seus colegas de farda que também perderam a vida na guerra do tráfico cinicamente ignorada pelas autoridades.
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Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.


nada
. Lula ficou irritado ontem ao responder a jornalistas pergunta sobre a crítica do presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, sugerindo o corte de repasse de verbas federais para os bandoleiros do MST, referindo as invasões e vandalismo do bando, e especialmente a depredação da fazenda da Cutrale em São Paulo: respondeu que "Não acho absolutamente nada". É, pode ser.


Sarney precisa saber que o abandono do local do crime não inocenta o criminoso
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O Brasil precisa reaprender a contar o caso como o caso foi, usar a palavra justa no lugar do eufemismo malandro e enxergar as coisas como as coisas são. Por exemplo: onde parece haver a Fundação José Sarney existe a fachada de uma organização envolvida em incontáveis bandalheiras. E o que é apresentado como ”impossibilidade de funcionamento” tem cara de queima de arquivo.

Segundo o presidente vitalício, ”os doadores suspenderam suas contribuições pela exposição com que a instituição passou a ser tratada por uma parte da mídia”. Conversa de 171. Os parceiros fugiram antes que o camburão estacione no outro lado da rua. O barulho da sirene começou em junho, quando a Justiça atendeu ao pedido do Ministério Público Federal e determinou a devolução ao governo maranhense do Convento das Mercês.

Expropriado ilegalmente, o convento foi reduzido a refúgio de pecadores pela ”Madre Superiora”, alcunha que identifica Sarney nas suspeitíssimas conversas por telefone entre o filho Fernando e comparsas de alta patente, gravadas pela Polícia Federal. Em julho, foram reprovadas as contas relativas às movimentações financeiras de 2003 a 2007 e o Ministério Público do Maranhão decidiu intervir.

A Fundação vive de esmolas porque sempre fez questão de manter distância dos cofres públicos, fantasiou a Madre Superiora sem chances no Dia do Juízo Final. É muito cinismo, berram os fatos. Sobram provas materiais de que a turma da Fundação desviou fatias consideráveis de boladas extorquidas do governo estadual, do Ministério da Cultura, da Petrobras e da Eletrobras, fora o resto.
Acumulam-se documentos que confirmam a chegada de quantias milionárias originárias de empresas fantasmas plantadas em paraísos fiscais no exterior por amigos de Sarney. São tantas as evidências comprometedoras que o chefe resolveu apressar o encerramento das atividades e evadir-se do endereço de má fama. Pouco importa. O abandono do local do crime não encerra o caso, não revoga a delinquência, não inocenta o culpado.

Mais de nove meses depois dos primeiros achados nas catacumbas do Senado, Sarney continua na presidência da Casa do Espanto, Pedro Simon desistiu de convencê-lo a largar o osso, Artur Virgílio já não acha intolerável a presença do chefão no centro da Mesa, Álvaro Dias não tem mais nada a investigar, Eduardo Suplicy trocou o cartão vermelho de juiz do Sarney pela cueca vermelha do Super-Homem, Aloízio Mercadante coleciona rendições em outras frentes, Romero Jucá e Renan Calheiros vão comemorar o reveillon em liberdade. A turma do pântano atravessou impune mais um ano. A oposição não se opõe. O Estadão continua sob censura.

Mas nenhum dos muitos crimes comprovados prescreveu. Os bandidos continuam bandidos, e o Brasil que presta tem o dever de seguir exigindo a punição dos fora-da-lei: a alternativa para a resistência é a capitulação. A dedetização judicial da Fundação não pode limitar-se ao Convento das Mercês. A ramificação mais lucrativa do grupo prospera em Brasília e usa como base de operações o Ministério de Minas e Energia, chefiado pelo cúmplice Edison Lobão.

O braço da Justiça deve ser estendido aos porões do Senado, dos tribunais manchados por indicações do imortal maranhense e do ministério controlado por candidatos a um banco dos réus. Se tudo der em nada, o Judiciário terá institucionalizado a absolvição prévia dos pecadores da primeira classe.

A bandidagem federal esbanja autoconfiança por confundir maioria com unanimidade. Tratemos de lembrar-lhe todo o tempo que a espécie dos brasileiros honestos não foi extinta.

24/10/09

Diogo Mainardi
O bonde do MC Beltrame
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"Desde que Lula passou por lá para visitar as obras do PAC, o Complexo do Alemão transformou-se num território da paz, mas unicamente para os traficantes do Comando Vermelho"
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Em julho, no Morro da Chatuba, ocorreu um baile funk em homenagem a FB, o chefe do tráfico de drogas no Complexo do Alemão. MC Smith cantou:
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"A festa do FB / está tipo Osama bin Laden"
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No domingo passado, o Morro da Chatuba assistiu a mais um baile funk. Desta vez, os homens de FB comemoraram o abatimento de um helicóptero da PM. José Mariano Beltrame, a maior autoridade policial do estado do Rio de Janeiro, comparou o abatimento do helicóptero aos atentados terroristas de Osama bin Laden, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. MC Beltrame, inspirado em MC Smith, já pode animar um baile funk no Morro da Chatuba.
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FB está longe de ser um Osama bin Laden. Os policiais comandados por José Mariano Beltrame sempre souberam onde ele se escondia. Dez dias antes que FB ordenasse o assalto ao Morro dos Macacos, que resultou no abatimento do helicóptero da PM e na morte de mais de trinta pessoas, a deputada federal Marina Maggessi declarou o seguinte a um repórter de O Globo:
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"A polícia não entra no Complexo do Alemão por causa das obras do PAC. Está todo mundo evitando tiroteio para não parar as obras do PAC. A bandidagem toda está indo para lá".
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O "bonde" de FB (tema de outro funk de MC Smith), formado por mais de 100 criminosos, confirmou a denúncia de Marina Maggessi. Na última semana, ela repetiu que as obras do PAC criaram uma zona franca para o Comando Vermelho. Revelou também que as autoridades policiais foram alertadas sobre os planos de FB algumas horas antes de ele atacar o Morro dos Macacos. O que aconteceu depois disso? As delegacias da região foram impedidas de agir.
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Em 4 de dezembro de 2008, Lula visitou as obras do PAC no Complexo do Alemão. Na mesma solenidade, que contou com um espetáculo do grupo AfroReggae, ele atacou o governo anterior e prometeu fazer "uma revolução para resolver o problema da segurança pública", transformando a área num "Território da Paz".
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Quase um ano depois, já dá para analisar alguns dos resultados dessa revolução. Primeiro: Lula continuou a visitar obras do PAC e a atacar o governo anterior. Segundo: poucos dias atrás, um dos integrantes do AfroReggae foi morto a tiros e a PM soltou seus assassinos. Terceiro: sim, o Complexo do Alemão transformou-se num território da paz, mas unicamente para os traficantes do Comando Vermelho. De fato, desde que Lula passou por lá para visitar as obras do PAC, a polícia nunca mais realizou uma operação contra seus criminosos. A última delas ocorreu em outubro de 2008. Nesse período, FB aumentou seu arsenal e reuniu suas tropas. Como diz o funk de DJ Will, ecoado por MC Beltrame:
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"A PM aqui não entra / Aqui só tem talibã / Terrorista da Al Qaeda"

23/10/09

com os fariseus não, dom lula!
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O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, disse que "Jesus Cristo não fez aliança com os Fariseus", ao comentar a fala de Luiz Inácio. Em entrevista para a "Folha de S.Paulo", Lula falou que "se Jesus Cristo viesse pra cá e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria que chamar Judas para fazer coalizão".

O bispo respondeu que "Judas foi um discípulo de Cristo. Cristo conhece o coração das pessoas e respeita a liberdade de cada um. Agora, Cristo não fez aliança com os Fariseus, com os Saduceus. Pelo contrário, teve palavras muito duras para com eles."

O que tanto faz, porque Lula não tem idéia de quem foram os fariseus e muito menos seus rivais Saduceus - estes sim, a propósito e a gosto daqueles que Lula e seu bando atacam, eram pessoas da alta sociedade, membros de famílias sacerdotais, cultos, ricos e aristocratas. Dentre os quais saíram no início da ocupação romana os sumos sacerdotes que, naquele momento, eram os representantes judeus diante do poder imperial. Gente semelhante a essa que Lula anda adulando ou atacando em campanha.

Por Thomas Magalães


22/10/09

CALÇOLA RENDA MINHA

Migezim de Princesa
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I
Na minha terra antigamente,
Calcinha não havia, não.
Mulher que usava calcinha
Vivia na depravação.
Mas, com o passar do tempo,
Aprovaram o calçolão.
II
As mulheres se vestiam
Com imenso calçolão,
Feito de saco de milho
Ou de pano de algodão,
Amarrado na cintura
Com uma carreira de botão.
III
Por cima do calçolão,
Uma anágua duma cor só,
Um vestidão bom de chita,
Que cobria o mocotó,
E um cabelão comprido,
Amarrado num cocó.
IV
Na hora do vamos ver,
Era o maior fogoió:
Apagava o candeeiro,
Que se chamava fifó,
E o negócio era feito
No buraco do lençol.
V
Mas aí mudou a moda
(Costumes da capital):
Minissaia mostrou as coxas,
Provocou um vendaval;
Surgiu o cordão cheiroso,
Que se chama fio-dental.
VI
De tudo eu já vi no mundo:
Padre pegar criancinha,
Político cumprir promessa,
Lula rejeitar branquinha,
Mas ainda não tinha visto
Um senador de calcinha.
VII
Suplicy pegou um livro
Com o texto do Renda Minha,
Quando a Sabrina Sato
Apareceu com a calcinha,
Toda enfeitada de renda
E numa parte furadinha.
VIII
Ele não contou conversa,
Vestiu e saiu andando
E a Sabrina por trás,
Iludindo e incentivando,
Que doido com incentivo
Quando embeiça, cai matando.
IX
Suplicy pirou de vez,
Se sentindo escanteado,
Resolveu aparecer,
Não foi bom o resultado,
Melhor seria desfilar
Com um jerimum pendurado.
X
E para 2010
Eu sugiro esta parada:
Nem Dilma, nem José Serra
(Com sua cabeça raspada);
A campanha é Renda Minha:
O Suplicy de calcinha
E a Sabrina pelada!


GOVERNO NÃO CONSEGUE IMPEDIR CPI DO MST, E BASE ALIADA AGORA FAZ AMEAÇAS RIDÍCULAS
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O governo Lula se esforçou até a 0h desta quinta-feira para tentar retirar assinaturas da CPI Mista do MST, mas não conseguiu, e a comissão deve ser criada hoje. O objetivo é investigar o repasse de verbas oficiais para entidades de fachada criadas pelo movimento, que não tem nem existência legal e, por isso, está impedido de receber dinheiro público.

Embora não exista oficialmente, o MST tem o controle do Incra é a voz mais influente no Ministério do Desenvolvimento Agrário. O governo já anunciou que pretende ter a presidência e a relatoria da comissão, a exemplo do que fez com a CPI da Petrobras, que não consegue investigar nada. No caso do MST, talvez a coisa seja um pouco diferente. Parlamentares da base, ligados ao setor rural, também estão indignados com os crimes cometidos pelos sem-terra e têm a quem prestar contas.

Parlamentares do governismo diziam ontem à noite, em Brasília, que vão tentar investigar também a CNA — Confederação Nacional da Agricultura. É uma ameaça ridícula de retaliação contra a entidade presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que se tornou uma das principais referências da questão agrária no país — E NÃO DA “QUESTÃO RURALISTA”.

A senadora tem conseguido retirar do debate o glacê de ideologia cretina e de mistificação vagabunda. O MST prospera porque boa parte das pessoas se nega a enxergar a realidade do campo. Kátia também tem levado adiante O debate ambiental fora dos parâmetros dos naturebas do miolo mole. Ninguém quer devastar a natureza, é claro. Ou será que os agricultores são maus, mas os ambientalistas são bonzinhos? É preciso saber de onde vem a comida que se compra do Pão de Açúcar, no Carrefour e no armazém do Seu Manuel.

O MST é hoje uma indústria de produzir ideologia e números falsos. E o Incra se tornou a sua fachada oficial. E é bom que os governistas fiquem atentos. Se é fácil inventar mentiras sobre a Petrobras — como a vigarice segundo a qual alguns gostariam de privatizá-la (o único que gostaria, creio, sou eu…) —, no caso do MST, as coisas são um tanto diferentes. O MST conta a sua própria verdade por meio de seus atos. E a maioria dos brasileiros está com o saco cheio dos seus crimes.

Investigar o CNA? Por quê? Por acaso a entidade, que congrega o setor privado, recebe verba pública, como recebe o MST? “Ah, mas ela tem caráter sindical…” Excelente! Então que se investiguem também as centrais sindicais. Vamos ver quem passa por um crivo sério de apuração no uso de recursos. Sem contar que a CUT e congêneres recebem, por exemplo, uma parcela do Imposto Sindical, que é obrigatório mesmo aos não-sindicalizados. É dinheiro do público. E não aceita que suas contas sejam acompanhadas pelo TCU. Aliás, quem vetou o artigo da lei que previa que o tribunal fizesse a verificação foi o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa história é puro terrorismo. Se as esquerdas querem investigar a CNA ou qualquer outra confederação, que apresentem uma proposta de CPI com fato determinado. Como é determinado o fato de que dinheiro público e de ONGs estrangeiras vai parar no cofre do MST. E, com ele, financiam-se crimes em penca.

Pão, pão, queijo, queijo
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, sustentou a posição do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e sinalizou que está na hora de pôr ordem na casa. Ambos pareceram dizer que o Judiciário deve ser acionado como o recurso da sociedade contra abusos de poder.
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Até aí, nada de excepcional ou que suscite discordância. O problema reside na interpretação do que sejam abusos.
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O governo apega-se ao conceito de "campanha antecipada" e, nesse aspecto, de acordo com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o Palácio do Planalto tem-se conduzido dentro da mais perfeita legalidade.
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Não tendo sido iniciado oficialmente o período de campanhas nem escolhidas formalmente as candidaturas, nada do que se faz pode ser examinado sob o prisma eleitoral.
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O presidente do TSE acompanha de certa forma o raciocínio quando vê dificuldade em se distinguir, no ano antes das eleições, atos de governo de ações com propósito eleitoral, ou seja, de favorecimento a uma força política específica.
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Ambos os argumentos levam em conta a Lei Eleitoral, mas desconsideram a Constituição. No artigo 19, veda à União, cuja representação se expressa na figura do presidente da República, a criação de "distinções entre brasileiros ou preferências entre si". No artigo 37, obriga a administração pública, chefiada pelo presidente, a obedecer a determinados princípios, entre os quais o da "impessoalidade".
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Qualidade, caráter ou condição de "impessoal" - desapaixonado, neutro, isento, objetivo, não faccioso. Tudo o que o presidente da República não é quando circula com sua candidata pregando a realização de eleições ao molde de um plebiscito, na base do "nós contra eles, pão, pão, queijo, queijo".
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No entendimento do ministro Genro, o presidente da República só estaria impedido de "aparecer ao lado de candidatos, quaisquer que sejam eles", a partir da realização das convenções partidárias em junho de 2010.
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Nesse legítimo monumento ao sofisma de resultados, o ministro da Justiça imprime aos atos do presidente Luiz Inácio da Silva uma naturalidade que eles não têm. Tarso Genro procura dar o mesmo peso às aparições de Dilma Rousseff e de pré-candidatos como os governadores José Serra e Aécio Neves, ao lado dele.
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É desmentido pelo comportamento do presidente Lula, que não só não confere tratamento igual aos governadores citados pelo ministro da Justiça, como os trata claramente como adversários. Estaria em seu perfeito direito caso não o fizesse a expensas do erário e ao arrepio da Constituição.Coisa, aliás, que não faz de hoje.
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Lula não governa como presidente, antes o faz como chefe político de um grupo. Pode ser amplo, mas é um grupo no sentido de uma parte e não da totalidade dos cidadãos.Daí o parâmetro tradicional previsto exclusivamente na Lei Eleitoral não servir para medir o que seja ou não abuso, pois o conceito da transgressão não se circunscreve aos períodos eleitorais.
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Mais correto seria recorrer à Lei Maior para um bom exame sobre a adequação, ou não, da conduta do presidente ao juramento de fidelidade à Constituição.Foi o presidente quem escolheu, desde o princípio, atuar na base do "nós contra eles". Tanto que permite que seus ministros cumpram desde já agenda de candidatos e, por isso, não disponham da impessoalidade necessária para fornecer balizas de comportamento.Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia, por exemplo.
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O primeiro é candidato ao governo do Rio Grande do Sul e o segundo desde já nomeado coordenador da campanha (suposta?) de Dilma. Evidente que, sob a ótica de ambos, tudo transcorre dentro da mais absoluta normalidade e legalidade.Mas não são as vozes mais confiáveis para avaliar a situação nem para impor os parâmetros de conduta a serem seguidos por governantes e candidatos, governantes candidatos ou vice-versa.
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Briga interna
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O presidente do DEM, Rodrigo Maia, atira no paulista José Serra, mas, segundo consta, quer acertar mesmo é seu antecessor, o ex-senador Jorge Bornhausen.Assim como Bornhausen, Maia sempre foi partidário da candidatura Serra e seguidor da estratégia do Palácio dos Bandeirantes de tratar Aécio Neves como protagonista, não como coadjuvante de José Serra. Para assegurar o apoio de Minas, para prestigiar uma liderança prestigiada pelo eleitorado e para fortalecer alguém que, no limite ou no imprevisto, pode até vir a ser o candidato a presidente.
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Orestes Quércia, o comandante da dissidência do PMDB, esteve outro dia em Minas pelos mesmos e mais um motivo: pedir apoio de Aécio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, como candidato ao governo do Estado.
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O tiroteio na seara oposicionista, no momento, ocorre no DEM. Serra e Aécio entram na história como Pilatos no Credo.


cpi mst
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Nem Judas escapa
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A metralhadora giratória de Lula não deixou de pé um único partido governista disponível para se coligar com o PSB e assim dar impulso e tempo de TV para o eventual candidato Ciro Gomes.Já caíram a cúpula do PMDB e mais PR, PP, PRB e, na outra ponta, o PC do B, enquanto Lula mira também o PDT.
Com o PT, são sete siglas. Sobra o PTB, que tende a marchar com a oposição (PSDB-DEM-PPS), dividindo-se no caminho.
Vencidas as resistências dos partidos, Lula recarrega a metralhadora giratória e aponta para o peito (ou o coração) dos candidatos.
Primeiro, botou Ciro debaixo do braço e saiu com ele e com Dilma por aí, para fotos e trocas de elogios às margens do São Francisco. Chega a vez de Marina Silva (PV), que vem sendo coberta de elogios por lulistas. Nem Aécio Neves, teoricamente de oposição, escapa.
Bastou Ciro se mostrar mais robusto nas pesquisas do que Dilma para ele engrossar a voz.
Mas bastou que Lula o enchesse de elogios, gentilezas e viagens para que afinasse rapidamente. Com Marina, queridinha de círculos intelectuais ou de vanguarda, Lula vai tentar repetir o enredo. Ele diz que Marina é "uma pessoa boa"; Marco Aurélio Garcia, o quanto ela tem tudo a ver com o projeto petista; Dilma, o quanto é bom ver as mulheres tão combativas, defendendo causas tão nobres.Por fim, Aécio. Ao mesmo tempo em que desidrata as chances de apoio partidário a Ciro e a Marina, Lula infla o ego, as idiossincrasias e o poder de fogo de Aécio contra Serra, adversário mais temido. Rodrigo Maia, presidente do DEM, colabora com a estratégia lulista ao declarar preferência por Aécio. Ciro colabora mais ainda ao dizer que, contra Aécio, não concorre.
Em entrevista a Kennedy Alencar, da Folha, Lula explica o porquê da metralhadora giratória: No Brasil, até "Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
elianec@uol.com.br

KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
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"No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas", diz Lula
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que até "Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão" se fosse eleito para governar o Brasil. Na primeira entrevista à Folha após dois anos, declara que "a transferência de voto não é como passe de mágica". Diz, porém, que se empenhará em transferir o seu prestígio e o do governo para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata. Nega que a eleição dela fosse equivaler a um terceiro mandato. "A Dilma no governo tem de criar a cara dela. Rei morto, rei posto.
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"Lula afirma ser "debate pequeno" a declaração do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de que faz comícios pró-Dilma em viagens pelo país. Novamente de dieta para emagrecer, diz que apoiou a manutenção no cargo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por "segurança institucional". Segundo Lula, a oposição ia "fazer um inferno neste país".

FOLHA - Por que o sr. escolheu Dilma como candidata, cristã nova no PT que nunca disputou eleição, sem fazer discussão no partido?
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA - Não estava em debate quem era PT mais puro-sangue, menos puro-sangue. Era questão de viabilidade política. Dilma é a mais competente gerente que o Estado já teve. A capacidade de trabalho, a competência, o passado político e o presente, isso me faz garantir que é excepcional candidata.

FOLHA - Esse argumento não é muito tucano?
O sr. nunca havia sido gestor, virou presidente e faz um governo bem avaliado.
LULA - Não é tucano, não. Além de gestora, é extraordinário quadro político.

FOLHA - Já há faixas na rua dizendo que Dilma eleita equivale ao seu terceiro mandato.
LULA - Exatamente o contrário. Uma mulher que tem a personalidade que a Dilma tem vai exigir que eu tenha o bom senso de quando elegi o Jair Meneguelli presidente do sindicato de São Bernardo, o José Dirceu presidente do PT. Rei morto, rei posto. A Dilma no governo tem de criar a cara dela, o estilo dela, o jeito dela de governar.

FOLHA - O sr. defende uma coalizão e uma disputa plebiscitária. Se a coalizão é importante, por que o candidato deve ser do PT e não de um partido aliado?
LULA - Porque seria inexplicável para grande parte da sociedade o maior partido de esquerda do país, que tem o presidente, não ter um sucessor.

FOLHA - Fechou ontem [anteontem] a aliança com o PMDB?
LULA - Haverá acordo nacional, e a chapa PT-PMDB.

FOLHA - Michel Temer é o nome para vice?
LULA - Quem discute vice é o candidato.

FOLHA - Se Ciro seguir emparelhado ou à frente de Dilma em março, quando o sr. e ele combinaram de decidir, que argumento o sr. pode usar para convencê-lo a desistir da Presidência e concorrer em SP?
LULA - Jamais farei isso.

FOLHA - O sr. patrocina a articulação para ele ser candidato em SP.
LULA - Não é verdade. Sou o único que não tem autoridade moral para pedir para alguém não ser candidato. Fui candidato a vida inteira. Só cheguei à Presidência porque teimei.

FOLHA - Como o sr. explica um governo popular e a oposição líder nas pesquisas da sucessão?
LULA - Ainda não temos candidatos.

FOLHA - Os motivos? Recall?
LULA - Lógico que é recall. Um candidato da oposição, governador de São Paulo, já foi candidato a presidente, já foi senador, já foi ministro, tem uma cara muito conhecida no Brasil inteiro. A transferência de voto não é como passe de mágica.Vamos trabalhar para que a gente possa transferir todo o prestígio do governo e do presidente para a nossa candidatura.

FOLHA - Todo dia a Dilma aparece com o sr. no noticiário, viajando. O presidente do Supremo Tribunal Federal classificou de vale-tudo as viagens que viram comícios.
LULA - Você passa o tempo inteiro plantando sua rocinha. É justo que, quando ficar no ponto de colher, você vá colher. Ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras comigo. Se for candidata, a lei determina que tem prazo em que não poderá mais ir. Até lá, ela é governo.

FOLHA - Mendes diz que o governo testa o limite da Justiça.
LULA - É um debate pequeno. Cada brasileiro tem o direito de falar o que bem entender, mas vamos continuar inaugurando.
FOLHA - Teme chapa Serra-Aécio?
LULA - Não.

FOLHA - Pediu a Aécio para não ser vice de Serra?
LULA - [Riso] Não, não.

FOLHA - Por que não abandonou Sarney na crise do Senado?
LULA - Não entendi por que os mesmos que elegeram Sarney, um mês depois, queriam derrubá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa [Marconi Perillo, do PSDB de Goiás] que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional.

FOLHA - Se Sarney caísse, acabaria a sustentação política do governo?
LULA - A queda do Sarney era o único espaço de poder que a oposição tinha. Iam fazer um inferno neste país.

FOLHA - O sr. disse que Sarney não poderia ser tratado como um cidadão comum. Não é incorreto numa democracia, onde ninguém está acima da lei? Um presidente falar isso não transmite mensagem ruim?
LULA - É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante não permitir a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. Sarney foi presidente. Os ex-presidentes precisam ser respeitados, porque foram instituições. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente.

FOLHA - O sr. apoiou Sarney, reatou com Collor, é amigo de Renan Calheiros, de Jader Barbalho e recebeu Delúbio Soares recentemente na Granja do Torto. Todos são acusados de práticas atrasadas na política e até de corrupção. Ao se aproximar dessas figuras, não transmite ideia de tolerância com desvios éticos?
LULA - O dia em que você for acusado, justa ou injustamente, enquanto não for julgado, terá de ser tratado como cidadão normal. Não tenho relações de amizade, mas institucionais.

FOLHA - O cidadão o vê abraçado com essas figuras...
LULA - O cidadão tem de saber que eles foram eleitos democraticamente. E o eleitor dessas pessoas é tão bom quanto elas.

FOLHA - O sr. trabalhou pela reabilitação de Antonio Palocci. O caso do caseiro é superável eleitoralmente?
LULA - Desejo que todos os que foram acusados, e acho que tem muita gente acusada injustamente, que todos sejam julgados. Palocci teve um veredicto. Não tem mais nenhuma pendência com a Justiça. Pode ser o que quiser ser.

FOLHA - Ele pode ser candidato a governador de São Paulo?
LULA - Ele tem inteligência para saber se o momento é de uma candidatura ou não.

FOLHA - Seu aliado Ciro Gomes diz que há "frouxidão moral" na hegemonia da aliança entre PT e PMDB, da qual o sr. é o principal avalista. Como o sr. responde?
LULA - A aliança com o PMDB e os demais partidos permitiu governança muito tranquila. Se confirmada a aliança, será feito documento público para saber os compromissos assumidos.

FOLHA - E a frouxidão moral?
LULA - Conceito do Ciro.

FOLHA - Não quer responder.
LULA - Opinião do Ciro.

FOLHA - Não o incomoda?
LULA - Não. Ciro esteve no meu governo. A única coisa que não tem aqui é frouxidão moral.

FOLHA - Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática de usar bens públicos como privados.
LULA - Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

FOLHA - É o que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?
LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base.

FOLHA - Dá aperto no peito?
LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno.
Leia a íntegra da entrevista
www.folha.com.br/0929415

Da metamorfose à rendição
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Que Luiz Inácio Lula da Silva foi, a partir de sua vitória de 2002, uma "metamorfose ambulante", nem precisava que ele próprio o dissesse. Os fatos falavam alto e claro.

O triste, como revela a entrevista que ele concedeu a Kennedy Alencar desta Folha, é que Lula passou da metamorfose à rendição a uma realidade política horrorosa.

Disse Lula: "Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, ele não conseguirá montar o governo fora da realidade política.

Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Quem ganhar a Presidência amanhã, terá de fazer quase a mesma composição, porque este é o espectro político brasileiro".

O presidente ainda acrescentou: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

Se Frei Betto, o confessor ou ex-confessor de Lula, tivesse ensinado seu amigo direitinho, o presidente aprenderia que Cristo foi crucificado justamente porque não fez coalizão com os judas da vida.

Que Lula tivesse obsessão com a governabilidade até dá para entender. Que desista de ao menos tentar reformar a "realidade política" é um irremediável desastre.

Só para qualificar o que é essa realidade: a Fundação Konrad Adenauer, ligada à democracia-cristã alemã, divulgou há dez dias o índice de desenvolvimento político da América Latina.

O Brasil consegue a proeza de ficar só no 8º lugar entre os 18 países listados. E estamos falando de América Latina, que é essa mixórdia arquiconhecida.

Tudo somado, dá para entender por que o presidente prefere que a imprensa não fiscalize o poder, apenas informe. Lula e seu partido trocaram a fiscalização do tempo de oposição pelo gozo do poder uma vez nele instalados.

lula e sua monalisa
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Botando os pés pelas mãos Lula segue perseguindo projetos, como o pré-sal entre outros, que apresentam graves falhas constitucionais. E considere-se a probalidade de serem aprovados pelo legislativo, diante do poder que o presidente tem sobre ele, apesar dos alertas, também, da Consultoria Legislativa do Senado.

Lula segue pintando Dilma Vânia em sua sucessão sem dar bola para o que seja, confiando no seu taco que imagina ser de um profeta, para dizer o mínimo. O jornalista Rolf Kuntz descreve intressantes lances da levata do apedeuta:

Ninguém se iluda. O Estado forte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assunto de mais uma de suas arengas, não se confunde com a ordem política legal e impessoal típica da modernidade. Lula não distingue entre Estado e governo, não separa governo de partido, e seu partido se reduz cada vez mais à sua pessoa. Não há outra maneira de explicar seus surtos cada vez mais frequentes de autoconsagração como instância suprema de todos os poderes - censor do Tribunal de Contas, limpador das teias de aranha da Constituição, zelador do pré-sal, comandante da Petrobrás, orientador da Vale, censor da Embraer e autor de todas as mudanças importantes na história do Brasil moderno. Sem contar, é claro, seus conselhos a Barack Obama, sua indisfarçável intervenção nos assuntos internos de Honduras e sua cobrança de explicações ao presidente Álvaro Uribe sobre uma decisão soberana da Colômbia.

A inegável inépcia do governo explica, sem dúvida, boa parte de seu fracasso na execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, de modo geral, o insucesso de seus programas de investimento, com desembolsos sempre muito abaixo dos valores orçados. Mas a incompetência, é preciso repetir, é apenas uma das causas dos tropeços. Outro fator, não menos importante, é a incapacidade de Lula e de seus auxiliares de aceitar instituições fundadas em regras impessoais e superiores ao arbítrio de um presidente da República

Essa incapacidade se revela mais uma vez nos projetos sobre exploração do pré-sal. Há pelo menos cinco dispositivos inconstitucionais nesses projetos, segundo a Consultoria Legislativa do Senado.

Por Thomas Magalhães

 

 
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